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2 de ago. de 2011

Mentem que nem sentem

É claro que de perto ninguém é normal e na minha recente jornada como comerciante, pude constatar esta teoria. Convivendo mais intimamente com alguns vizinhos um fato curioso me chamou a atenção: como eles mentem.

É interessante como algumas pessoas recriam uma outra realidade e sem pudor algum, assumem quase uma nova identidade. Elas olham nos seus olhos e dizem as mentiras mais deslavadas, ou então as verdades mais inverossímes. 
Tipo: homem feio que só pega mulher bonita. Linda. Maravilhosa. Daquelas que deixam todos os seus amigos com inveja. E segundo ele, não precisa nem se esforçar, é só o garanhão chegar que elas caem matando. Tá bom que eu acredito.
Além de garanhão, ele se considera um homem bem sucedido e mesmo sem emprego há anos, jura que é empresário. Eu até poderia acreditar, se não fosse as continhas, que ele teima em pendurar.
O que leva uma pessoa a pegar um carro emprestado e desfilar como se fosse seu? Ou inventar almoços de negócios em restaurantes badalados? Viagens maravilhosas? Empregos e profissões que não existem? Salários fictícios!?
Eu ouço as histórias e sei que não passam de fantasias, afinal, convivo que estas pessoas há anos, mas como diria minha mãe, eles são tão doentes do  "esprito" e da alma, que passaram a acreditar nas próprias mentiras.
E uma mentira encobre a outra, quando o carrão desaparece, até que possa substituí-lo por outro.
Acho essa forma de encarar a vida digna de pena. Criam um mundo de mentirinha,em que cada delírio é uma bolinha de sabão, que estorarão ao mais leve toque.
Talvez eles achem que estão fazendo os outros de bobos, quando eles é que o são.  Mas acredito mais que procuram uma fuga da realidade, vivendo uma vida que gostariam, mas que não lhe pertence.