Dias desses estava ouvindo uma conversa entre duas jovens, uma delas mal tinha completado 18 anos e já estava no “segundo” casamento. Ela narrava como estava se sentindo mal, depois de ter ido a uma boate na segunda-feira, para provocar o marido e ter bebido todas, a ponto de não se lembrar de como havia chegado em casa.
Durante a conversa, contou suas peripécias amorosas, namoro com traficantes e chefes de boca de fumo e que todas as suas saídas eram regadas a muito uíque e vodca. Eu ouvia aquilo tudo e pensava: acho que nunca fui jovem, já nasci velha.
Com todos os problemas que meu pai deu a minha mãe, como contei no post anterior, desde muito cedo eu decidi que seria uma filha exemplar. Minha mãe deu muito duro, mas duro mesmo, para criar meu irmão e eu. Meu pai era trabalhador, mas viveu vários períodos de desemprego. Então sobrava para minha mãe, que era manicure desde os 12 anos de idade, ajudar no sustento da família, principalmente nas "futilidades".
Era graças a ela que eu tinha sempre uma roupinha nova, dinheiro para comprar merenda na escola e pegar o ônibus sem precisar fazer o trajeto a pé, comer biscoito e tomar iogurte, comprar figurinhas para meu álbum de artistas e encher minha pasta de papel de carta.
Eu nunca precisei sair da escola para trabalhar ou estudar a noite e trabalhar de dia. Com seu dinheiro pingado, minha mãe me garantiu uma boa qualidade de vida e em troca, eu fazia todo o serviço da casa.
Era ótima aluna e não lhe trazia qualquer aborrecimento. Eu tinha toda a liberdade de sair para as noitadas e dormir fora, mas nunca abusei. Nunca fumei, nem bebi e usar drogas nem pensar. Também nunca lhe trouxe problemas por conta de namorados.
Eu tenho duas conhecidas de 20 anos, uma tem 3 filhos e a outra um. E vivem dizendo que se pudessem voltar a atrás fariam diferente, se tivessem a cabeça que tem hoje, se fossem mais jovem agora...
Mas elas só tem 20 anos!!! Agora que deveriam estar começando a vida e já acham que viveram tanto e pior erradamente. Se arrependem de tudo que fizeram ou deixaram de fazer, dos filhos não planejados, dos estudos inacabados. Em agosto eu farei 35 anos e me sinto muito bem. Não me sinto cansada, nem com o peso do mundo nas costas, ou achando que tudo que fiz foi errado.
Na verdade me sinto bem jovenzinha, cheia de frescor e vontade de viver.Eu optei por não fazer algumas coisas e elas jamais me fizeram falta. Eu não quis ser adolescente rebelde e hoje acredito que colho os frutos por isso.
Foi bom para os meus pais, que nunca ficaram de cabelos em pé comigo e melhor ainda para mim. Aproveitei tudo de bom que a fase jovem tem a oferecer, a vida despreocupada e cheia de sonhos. Os amores platônicos. As baladas regadas a refrigerante. Os romances de Júlia, Sabrina e Bianca. As primeiras descobertas. As primeiras decepções.
Sim, eu fui jovem.
