Eu tenho uma vizinha que tem como profissão ser fiscal da natureza. Ela passa os dias sentada no portão, apreciando a bela paisagem que nos cerca e brincando com sua cachorrinha. São horas intermináveis sentada no portão, ruminando profundos pensamentos e é claro que eu não tenho nada a ver com a isso.
Não é da minha conta se ela já tem quase 30 anos, seja casada e tenha uma filha e mesmo assim pareça estar esperando que o mundo acabe em barranco para morrer encostada.
Mesmo não tendo nada a ver com a vida alheia, já faz um bom tempo que ando incomodada com a tal vizinha. Para os que não sabem, eu tenho duas enteadas, uma com 15 anos e a outra com 6 anos. A mais nova esta sempre na minha casa e a minha vizinha tem uma filha da mesma idade da minha enteada, que são amiguinhas e brincam juntas.
Até aí tudo bem, é ótimo que minha enteada tenha outra criança da idade dela para brincar e para bagunçar, mas eu acho que isso não dá o direito a mãe dela de querer me explorar.
Eu posso estar sendo muito rigorosa, implicante ou chata, mas acredito em limites e em bom-senso. Deixar uma criança brincar na casa da outra - o dia inteiro - e esquecer que tem filho, realmente me incomoda demais.
Enquanto a vizinha passa o dia sentada no portão, eu passo o dia ralando muito. Se é a minha enteada que vai brincar na casa da amiguinha, eu me preocupo se ela não esta dando trabalho, vou checar de vez em quando se esta tudo bem, chamo para as refeições e para dormir.
Como a vizinha nem comida gosta de fazer, deve achar que é minha obrigação alimentar sua filha. Ledo engano: não tenho o menor constrangimento de quando chega o horário do almoço, interromper a brincadeira e mandar a menina para a casa. Se você tem um filho, é sua obrigação zelar por ele e que mulher não gosta de ver sua filha limpa, arrumada e cheirosa? Ainda mais quando se tem tempo de sobra para isso?
É por isso que fico indignada e me recuso a ser o barranco para a vizinha se encostar.Tudo bem em oferecer um lanche, mas detesto me sentir usada. Como a maioria das mulheres, eu faço mil coisas ao mesmo tempo para dar conta do meu trabalho, da casa minha e da minha família.
Como diria meu marido toscamente: "cada cão que lamba sua caceta."
