30 de nov de 2010

A companheira perfeita

 Quem esta casado ou se já se casou sabe: casamento é um desafio diário e dependendo de como a união é conduzida, a convivência diária tanto pode fortalecer como desfazer os laços.
Muitas vezes existe amor, afeto, o sexo é bom, mas mesmo assim os conflitos teimam em surgir, afetando seriamante a relação ao ponto de se pensar em ir cada um para o seu lado.
A grande maioria das mulheres enfoca muito a relação no parceiro, se esforça em agradar nos mínimos detalhes, quer seja cuidando bem da casa, quer seja querendo passar o maior tempo possível ao lado do amado. Eu não era diferente. Cuidava bem da casa, preparava comidinhas gostosas e estava sempre disponível para ficar ao lado dele.
E mesmo assim não estava dando certo. Como já escrevi várias vezes, meu marido trabalha muito e  há uns anos atrás, ele trabalhou fazendo escolta de um caminhão de toras que vinha da região serrana do Rio. O local além de muito distante, não pegava sinal de celular. 
Eu passava o dia aflita sem notícias, imaginado todo tipo de tragédia, por que sabia que nem o caminhão nem o motorista ofereciam segurança e TODOS os dias chove na Serra de Friburgo.  Não era raro o caminhão atolar e ele dizer que iria chegar certa hora e chegar muuuito depois, ou nem conseguir chegar.A visão de um caminhão cheio de tora desgovernado não saia da minha cabeça e quando ele finalmente chegava em casa, meus nervos abalados o enchiam de acusações, que nos afastavam diariamente.
Na minha cabeça deveria haver um modo dele entrar em contato para me avisar se estava tudo bem ou quando precisasse pernoitar, nem que seja mandando um pombo correio ou um sinal de fumaça.
As agressões verbais não tardaram a fazer parte da nossa relação e ele sempre me acusava de não lhe trazer paz. Para ele não importava a casa limpa ou a comida bem feita. Ele só queria chegar em casa depois de dias trabalhando e encontrar paz.

Eu não conseguia dar a ele a única coisa que ele queria. E eu queria que ele me desse coisas que ele não poderia me dar. Ele não podia ficar comigo todos as noites. Não podia me ajudar com os afazeres da casa. Não podia ir fazer comprar no supermercado.
E eu tive que me decidir. Ou parava de reclamar e aceitavam as coisas como elas eram, ou desistia do que eu considerava meu grande amor. 
Decidir foi fácil, o díficil foi colocar em prática. Mas acho que consegui. No início da nossa relação eu não estava trabalhando e ócio realmente é a oficina do diabo. Atualmente não sobra nem tempo para sentir falta dele, ocupo meu tempo com o trabalho na casa de lanches, com o blog, com filmes e livros. Coloco as preocupações bem no fundinho da minha mente e tento dormir com os anjos. E a madruga sempre o traz de volta para os meus braços.
E aprendi a me satisfazer com o pouco tempo que temos juntos, com nossas noites intercaladas e com o riso sempre presente quando estamos juntos.
Ele sempre me pediu tão pouco, nunca exigiu nada e eu estou tentando fazer o mesmo.
Atualmente ele não faz mais as viagens que tanto me angustiavam, o que já é um alívio. Aprendi a  aceitar que a filha dele precisa mais dele do que eu e a suportar uma ex-esposa insuportável. E a aprendi a esperar, a ser compreensiva e a ser companheira.
E vou continuar todos os dias aprendendo um pouquinho mais...

9 comentários:

  1. Paulinha, que bom ver a sua história. Muitas vezes me vejo fazendo coisas parecidas. E saber que a gente consegue melhorar é muito bom.
    Na verdade é melhor pouco tempo juntos e felizes, do que muito tempo juntos brigando.
    beijos, Camila.

    ResponderExcluir
  2. Você é uma moça corajosa, com certeza! Eu sei bem sobre o que vc está falando, já vivi momentos muito semelhantes e sei o quanto que uma mulher acostumada a trabalhar fora fica instável quando está em casa "desocupada". Sim porque nunca estamos realmente desocupadas, mas ficar muito tempo em casa, só em casa e se sentir presa à ela como eu fico é uma ótima oficina para o capeta se instalar.
    Que bom que você encontrou o seu caminho e que está dando certo, também estou tentando encontrar o meu e aos poucos estou conseguindo também.
    A qualidade do tempo que se passa junto é muito mais importante do que a quantidade, por isso quando o tempo juntos é pouco a qualidade deve ser enorme para compensar.

    Beijos

    ResponderExcluir
  3. Parece que estou lendo a minha história... Meu marido é bem parecido com o seu, a diferença é que exige casa, roupa e comida perfeitos sempre. Discutimos muito, sinto a falta dele. Ele reclama q o tempo q eu deveria passar ao lado dele, que são muito poucos aliás, eu passo discutindo, segundo ele, por coisas inúteis. Muitas vezes consigo deixar pra lá, mas há dias em q explodo de tanta raiva. Raiva por viver sempre só, esperando um homem q não parece sentir minha falta...
    Ai, ai... Mas sabe Paula, apesar de tudo isso, eu o amo muito e sei bem das inúmeras qualidades q ele tem. Acho mais fácil consertar algo q já tenho do q terminar tudo e começar de novo. Não tenho mais paciência p joguinhos amorosos sabe, passei da idade...
    E é isso aí amiga, o jeito é seguirmos em frente, um dia de cada vez né. A gente vence, sei disso ;)

    ResponderExcluir
  4. Olá!

    Acho que vc aprendeu muita coisa menina...
    Boa sorte!

    Bjs

    Mila

    ResponderExcluir
  5. Oi, Paula

    Eu realmente a admiro. E a vejo como uma pessoa sincera, leal, e que realmente ama. Isso é incomparável. Você tem uma capacidade imensa de aceitação da condição humana, e isso te faz realmente uma pessoa especial.
    A admiro desde que mencionou sobre a filha de seu marido, no dia do aniversário dela.
    E tanta admiração se transforma em respeito.
    Gostei muito de seu texto. Achei-o fantástico.
    Que o seu aprendizado seja uma forma de ensinamento a todos nós!

    Beijos

    Carla

    ResponderExcluir
  6. Oi Paulinha!

    Um hábito que ajuda muito um relacionamento é o "se colocar no lugar do outro".
    Eu e o meu marido NUNCA tomamos nenhuma decisão sem antes conversarmos sobre os prós e os contras. Então aí já são 2 pontos: a comunicação e a empatia.

    Ceder também é importante.
    Que bom que o seu marido não faz mais aquelas viagens angustiantes. Ainda mais na época em que vc estava ociosa como disse aqui!
    Junta tudo e aí é só preocupação.
    Que bom que esta fase passou.

    Outra coisa: imagino que conviver com a simples existência de uma ex-esposa na vida do marido seja incômodo demais. Por isso te admiro cada vez que vem aqui e desabafa um pouco conosco.

    Com suas postagens, vc nos mostra que os problemas não batem só na nossa porta. Outras pessoas também tem seus problemas e lutam para superá-los.

    Graças a Deus meu casamento é um sonho, às vezes parece que ainda estamos namorando. Mas, se algum dia eu passar por algum problema, sempre me lembrarei de você e a tomarei como um exemplo de mulher que não se deixa vencer.

    Um beijo querida!

    ResponderExcluir
  7. É amniga, apra um casamento dar certo é assim emso... temos sempre que ceder um pouco,ter paciencia, carinho e, engolir alguns sapos de vez em quando( neste caso a ex dele, por exemplo), afinal a palavra é de prata e o silêncio é de ouro.. alguams vezes é melhor não falr nada e deixar p/ lá!!! casamento é um treinamento diário de paciencia, amor,fidelidade, respeito e compreensão, sem essas coisinhas não dá pra ser ser feliz!!!
    beijão
    www.sermulhereomaximo.com.br

    ResponderExcluir
  8. Tem gente cuja ficha não cai antes do relacionamento acabar. Ainda bem que as coisas estão bem.

    ResponderExcluir

Obrigada pela visita. Ficarei muito feliz se quiser deixar seu comentário.