23 de out de 2010

Histórias da vida alheia

Quem trabalha com o público já sabe, não tem como não ouvir mais coisas do que gostaria enquanto atende um cliente. Entre uma garfada e outra, entre uma cutícula e o esmalte, entre uma escovada e o calor do secador, profissional e cliente viram amigos íntimos e as confissões, muitas vezes nada indiscretas vão surgindo.
Em 1 ano trabalhando na Casa de lanches, que fica no andar de baixo da minha casa, sei mais sobre a vida dos vizinhos, do que nos 3 anos anteriores em que só acenava com as mãos quando passava.
Para vocês terem uma idéia, hoje dois clientes decidiram "abrir" seus corações e as duas histórias giravam sobre homossexualismo.
Na primeira, a cliente de seus  40 e poucos anos e com vários filhos, contou como esta sendo difícil que sua parceira aceite a separação e que dia desses, a sua ex-companheira a trancou no quarto por horas e lhe deu uma surra. Ela me contou este fato com toda naturalidade e na frente do filho de 8 anos, que já havia me confidenciado que quando crescer, pretende matar a "amiga" da mãe, que o espanca constantemente.
Na segunda história, já no final de expediente, um outro cliente de 17 anos, veio me confidenciar que é homossexual e que já teve vários casos com homens mais velhos. Aos 17 anos!!!
Tentei não fazer juízo de valor e no primeiro caso, deixei clara a minha opnião favorável ao fim do relacionamento, já que sempre temi pela criança, que é totalmente sem direção e com o futuro já comprometido. Sempre pelas ruas, com fome e agressivo e servindo de chacota para as outras crianças, enquanto a mãe ganha um direirinho suado e entrega nas mãos da parceira.

Muito bom ela estar tomado juízo e pensar agora no bem-estar do filho!
São tantas histórias que vejo e muitas vezes é díficil não me meter como neste caso, principalmente quando ha uma criança envolvida. As pessoas começarem a dizer que eu era mãe do menino, mas como não se condoer em ver uma criança em situação de risco?  Não perceber que a sua revolta e agressidade são a sua defesa? E não tomar partido?

2 comentários:

  1. Você tem toda razão...adorei o texto!
    É um prazer ter vc no meu espaço...
    Bjs
    Mila

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  2. Paula que história tocante! Ajude sempre que puder, esta é miha opinião querida!
    beijocas,
    Mari

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