8 de dez de 2010

O caloteiro


Interessante como o medo pode fazer nossos neurônios travarem e a fração de segundos que leva para o "tico e teco" responderem a uma situação, pode ser fatal para o desenrolar de uma história.
Como alguns já sabem, tenho uma pequena lanchonete, batizada por mim de Casa de Lanches Pra vê e Pra comê e ela fica situada no andar térreo da minha casa. Os meu clientes quase sempre são meus vizinhos e conhecidos de ruas próximas e é difícil alguém me ser totalmente estranho.
Semana passada, ainda sob o reflexo da guerra do tráfico no Rio de Janeiro, apesar de não morar na capital e sim na cidade vizinha, confesso que andei com os nervos meio abalados. Todos comentavam que nossa cidade seria rota de fuga dos traficantes e a todo momento helicopteros sobrevoavam o bairro e sirenes de carros de polícia cortavam o silêncio, patrulando a BR 101, que corta o meu bairro e fica bem próxima a minha casa.
Minha mãe me ajuda na Casa de Lanches, mas a parte da noite quase sempre fico sozinha e dias atrás quando já estava prestes a fechar, um cliente adentrou pedindo um lanche. Eu nunca havia visto o sujeito na vida e mesmo assustada com os últimos acontecimentos o atendi cordialmente.
Por dentro estava uma pilha de nervos e eis que entra um outro cliente. Apesar de ser menos de 21h, a rua estava deserta, pois estava começando a chover.forte e eu estava me preparando para fechar. O segundo cliente eu conhecia, ele não era freguês habitual, mas morava nas redondezas. Ele me pediu os lanches "fiado", contando umas histórias sem sentindo e afirmando que pagaria a conta no dia seguinte. 
Foi aí que o "tico" e "teco" falharam e eu agitada com os fatos já narrados a cima, concordei. Mas enquanto eu preparava os lanches, fui me dando conta da besteira que havia feito. Todo comerciante esta sujeito a levar um calote e eu sentia que havia chegado a minha vez. 
Durante o tempo que esperou os pedidos, o cara contou várias histórias e como das outras vezes que havia aparecido, afirmou trabalhar num posto de gasolina que fica próximo a minha casa e que eu poderia ir até lá pegar o dinheiro. 
Naquela noite nem dormi dinheiro, ciente do erro que havia cometido e me sentindo uma idiota. Dá muita raiva ser passada para trás e no dia seguinte fui conferir se minhas suspeitas tinham fundamento: fui no posto de gasolina que ele alegou trabalhar e lá fiquei sabendo que o "cidadão" já havia sido demitido há muito tempo. De lá parti para casa dele e conversei com a esposa sobre o ocorrido. Percebi que ela estava bastante desconfortável equando perguntei aonde ele trabalhava ela desconversou e se comprometeu a pagar a dívida do marido. 
 O que leva uma pessoa a mentir tão descaradamente? O que leva uma pessoa a deixar a família passar constrangimento ao ser cobrado por alguns reais? Fiquei pensando no que a filha pensa do próprio pai, foi ela que veio me atender ao portão.




8 comentários:

  1. Paula,
    sabe o que é pior nesse tipo de situação, você ter vergonha pela outra pessoa!
    bjs carinhosos
    Jussara

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  2. Paula!
    Não se abale, já levei muito calote no meu comércio também! De poucos e muitos reais!
    É bem certo que fará mais falta para ele do que para você! Não pq eu esteja desejando isso, mas é assim a lei da vida!
    Hoje, no calor do fogo, você pode não ver dessa maneira, mas o futuro te mostrará! Você fez oq seu coração mandou na hora, bola frente!
    Mas, que não apareça mais caloteiros na sua porta!
    Beijo!
    ^^

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  3. A resposta à sua indagação é: a natureza humana.

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  4. Paula querida...
    Muito chato mesmo! Que situação!!!!
    Espero que não aconteça mais!!!!
    beijocas,
    Mari

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  5. Oi Paula!!
    Não se sinta culpada e nem fique pensando que foi enganada, a sua parte vc fez, tentou ajudar da forma que podia, o errado foi ele...

    Mil beijoss

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  6. Poxa amiga que chato,mas infelizmente isso sempre acontece..Tomara que nao se repita ..beijos e muito sucesso pra vc.Obrigada tambem pelas doces palavra la no meu cantinho..Bom fim de semana..

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  7. O ser humano é estranho, não há respeito nem com o trabalho dos outros. Ele poderia ter sido honesto com você, se não tinha dinheiro para pagar os lanches que explicasse que estava com fome, que no momento não tinha dinheiro, sei lá, algo deste tipo. É tão mais fácil e simples se agirmos com franquesa...

    Não fique martelando nisso... com certeza uma hora ele vai se complicar em algum outro estabelecimento!

    Adorei o blog.

    Um Abraço

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  8. Caramba Paula! Que sacanagem do cara. Caloteiro de uma figa. Confesso que eu não teria tido coragem de ir até o trabalho dele muito menos a casa. Acho q já teria assumido o calote que levei.
    Quanto as estampas, elas são feitas no illustrator. Um programinha de ilustração que estou aprendendo a usar.
    O encontrinho é amanhã. Vc não vai mesmo?
    Beijos.

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